As Eleições 2026 colocam novamente em discussão os rumos do Brasil para os próximos anos. Entre os assuntos que merecem atenção está a agenda ambiental, que deixou de ser uma questão restrita à preservação de florestas e passou a envolver diretamente energia, agricultura, infraestrutura, economia, cidades, segurança alimentar e qualidade de vida.
A mudança do clima já produz impactos concretos no território brasileiro, com eventos extremos como secas, enchentes, ondas de calor e alterações no regime de chuvas. Por isso, discutir mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e política ambiental significa também discutir planejamento econômico e social para as próximas décadas.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou, em setembro de 2026, uma plataforma que reúne os programas de governo das candidaturas à Presidência e permite consultar as propostas por oito macrotemas, facilitando o acesso do eleitor às informações oficiais.
Neste contexto, alguns temas ambientais se destacam por sua importância para o futuro do país.
1. Mudanças climáticas e adaptação
A redução das emissões de gases de efeito estufa é apenas uma parte do desafio climático. Mesmo com esforços globais de mitigação, uma parcela dos impactos das mudanças climáticas já está em curso.
No Brasil, isso significa preparar cidades, sistemas de saúde, agricultura, infraestrutura, recursos hídricos e ecossistemas para lidar com eventos extremos.
A adaptação às mudanças climáticas envolve medidas como sistemas de alerta, planejamento urbano, infraestrutura resiliente, prevenção de desastres, gestão de recursos hídricos e proteção de populações vulneráveis.
O Plano Clima 2024–2035, por exemplo, estabelece estratégias nacionais de adaptação e planos setoriais para orientar ações até 2035.
Para o desenvolvimento sustentável, adaptação significa reduzir os prejuízos econômicos e sociais provocados por um clima mais instável.
2. Desmatamento e proteção das florestas
O combate ao desmatamento é uma das questões ambientais mais relevantes para o Brasil.
A razão vai além da conservação da biodiversidade. As florestas participam do ciclo da água, armazenam carbono, ajudam na regulação climática e sustentam atividades econômicas e comunidades.
A Amazônia ocupa posição especialmente importante nesse cenário. O Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, que exerce funções relevantes no armazenamento de carbono e na regulação do clima.
O combate ao desmatamento também possui uma dimensão econômica. Fiscalização, monitoramento por satélite, regularização fundiária, combate a atividades ilegais e incentivo à produção sustentável fazem parte de uma discussão mais ampla sobre como utilizar o território sem comprometer os recursos naturais.
Dados recentes do sistema DETER, do INPE, mostram a importância do monitoramento contínuo. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 37,2% em comparação com o mesmo período do calendário anterior. No Cerrado, a redução foi de 7,9%.
3. Transição energética e fontes renováveis
Outro grande tema das Eleições 2026 e do debate ambiental é a transição energética.
O conceito envolve transformar progressivamente a forma como a sociedade produz e utiliza energia, buscando tecnologias e fontes com menores emissões de gases de efeito estufa. Isso inclui energia solar, eólica, biomassa, biocombustíveis, hidrogênio de baixa emissão, armazenamento de energia e eletrificação de diferentes setores.
O Brasil parte de uma posição particular nesse processo.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, em 2025 as fontes renováveis representaram 49,4% da matriz energética brasileira e 86,8% da matriz elétrica. Solar e eólica vêm ampliando sua participação, enquanto a hidreletricidade continua sendo uma das principais fontes do sistema elétrico.
Isso cria oportunidades para o país desenvolver novas cadeias produtivas, atrair investimentos, ampliar a segurança energética e participar de mercados relacionados à economia de baixo carbono.
Ao mesmo tempo, a transição envolve desafios: infraestrutura, armazenamento, transmissão de energia, custos, competitividade industrial e convivência entre diferentes fontes energéticas.
4. Agricultura e produção sustentável
A relação entre agricultura e mudanças climáticas é outro ponto central.
O setor agropecuário depende diretamente das condições climáticas e, ao mesmo tempo, possui impacto relevante sobre o uso da terra e as emissões de gases de efeito estufa.
Por isso, a agenda de desenvolvimento sustentável passa por práticas como recuperação de áreas degradadas, integração de sistemas produtivos, redução de emissões, uso eficiente da água, conservação do solo e aumento da produtividade sem expansão proporcional da área utilizada.
A agricultura também precisa se adaptar a alterações no regime de chuvas, temperaturas mais elevadas e maior ocorrência de eventos extremos.
Nesse sentido, política climática e política agrícola não são agendas separadas. A capacidade de produzir alimentos no futuro dependerá também da capacidade de preservar recursos naturais e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.
5. Indústria de baixo carbono
A descarbonização da indústria é outro componente importante da transição para uma economia de baixo carbono.
Setores como siderurgia, cimento, química, mineração e transporte pesado enfrentam desafios específicos porque parte de suas atividades depende de processos industriais difíceis de eletrificar.
A discussão envolve eficiência energética, eletrificação, combustíveis de menor emissão, hidrogênio de baixa emissão, inovação tecnológica, economia circular e captura de carbono em determinadas aplicações.
Para o Brasil, essa transformação pode representar não apenas uma obrigação climática, mas também uma oportunidade industrial.
Uma economia global progressivamente orientada para produtos de menor intensidade de carbono tende a aumentar a importância de tecnologias, processos produtivos e cadeias de fornecimento compatíveis com essa transição.
6. Biodiversidade, recursos naturais e bioeconomia
O Brasil possui uma das maiores diversidades biológicas do planeta. Preservar esse patrimônio está relacionado tanto à conservação ambiental quanto ao desenvolvimento econômico.
A bioeconomia busca gerar produtos, serviços e atividades econômicas a partir de recursos biológicos de maneira sustentável, agregando valor à biodiversidade sem depender de sua destruição.
Isso pode envolver alimentos, medicamentos, cosméticos, materiais, biotecnologia e outros produtos derivados de recursos naturais.
A questão central é criar condições para que a conservação da biodiversidade também possa gerar renda, inovação e oportunidades econômicas.
7. Mineração, infraestrutura e licenciamento ambiental
Grandes projetos de infraestrutura e mineração também fazem parte da discussão ambiental.
Estradas, ferrovias, portos, usinas, linhas de transmissão, empreendimentos industriais e projetos de mineração podem ser importantes para o desenvolvimento econômico, mas também podem produzir impactos ambientais.
Por isso, o licenciamento ambiental possui papel relevante no planejamento desses empreendimentos.
O desafio está em estabelecer processos capazes de avaliar riscos e impactos, exigir medidas de prevenção e compensação quando necessárias e, ao mesmo tempo, proporcionar previsibilidade para investimentos e projetos que cumpram as regras ambientais.
A discussão sobre licenciamento, portanto, está diretamente relacionada ao equilíbrio entre desenvolvimento econômico, proteção ambiental e segurança jurídica.
8. Oceanos e zonas costeiras
O debate ambiental brasileiro também precisa considerar os oceanos.
O país possui uma extensa faixa costeira, onde estão concentradas grandes cidades, atividades econômicas, infraestrutura portuária, turismo, pesca e importantes ecossistemas.
Mudanças no nível do mar, erosão costeira, aquecimento das águas, eventos extremos e perda de ecossistemas marinhos podem gerar impactos econômicos e sociais.
A conservação de manguezais, restingas, recifes e outros ambientes costeiros também possui relação com a proteção contra eventos extremos e a manutenção da biodiversidade.
O Brasil tem um papel importante nessa transformação
A dimensão ambiental das Eleições 2026 precisa ser analisada considerando a posição particular do Brasil no cenário internacional.
O país possui uma matriz energética relativamente renovável, grande disponibilidade de recursos naturais, potencial para geração solar e eólica, capacidade agrícola, extensas florestas e uma das maiores biodiversidades do mundo. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios relacionados ao desmatamento, eventos climáticos extremos, infraestrutura, desigualdade e necessidade de adaptação.
O Brasil também possui compromissos climáticos internacionais e estabeleceu uma meta de neutralidade climática até 2050.
Isso faz com que as decisões tomadas nos próximos anos possam influenciar não apenas as políticas ambientais brasileiras, mas também oportunidades econômicas relacionadas à transição para uma economia de baixo carbono.
Como consultar as propostas para as Eleições 2026
Mais do que acompanhar apenas declarações feitas durante a campanha, é importante consultar os programas de governo apresentados oficialmente pelas candidaturas.
O TSE disponibilizou uma página específica para as Eleições 2026 que reúne os planos de governo das candidaturas à Presidência e permite pesquisar as propostas por diferentes assuntos. A ferramenta foi criada justamente para facilitar o acesso do eleitor às informações oficiais.
Consultar os planos de governo das Eleições 2026 no TSE
A agenda ambiental é ampla e envolve decisões que ultrapassam a preservação de áreas naturais. Mudanças climáticas, desmatamento, energia, agricultura, indústria, biodiversidade, infraestrutura, mineração, oceanos e adaptação fazem parte de uma mesma discussão sobre o modelo de desenvolvimento que o Brasil pretende construir.
Conhecer esses temas e consultar diretamente as propostas oficiais é uma forma de participar do debate público com mais informação e comparar aquilo que está efetivamente previsto nos programas de governo.